Espaço Ubunto

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segunda-feira, 26 de maio de 2008

'O Presidente Negro'

O PRESIDENTE NEGRO
Antonio Carlos Côrtes (*)
"Para que tudo permaneça com está é preciso que algo mude'
(Tancredo Neves)
Obama será o candidato escolhido pelos democratas, para enfrentar John McCain. Nunca pensei que alcançaria ver um presidente negro nos UNITED STATES OF AMERICA. Mas me ocorreu um pensamento de Franklin Roosevelt "É muito melhor lançar-se a luta, buscar triunfo e gloria mesmo expondo-se ao insucesso do que formar filas com os pobres de espíritos, que nem gozam muito nem sofrem muito porque vivem nessa penumbra cinzenta que não conhece vitória nem derrota".
Pensamento que cai como uma luva para homenagear a mulher Hillay Clinton, cuja garra valoriza ainda mais a vitória de Obama, que sempre a respeitou.
São questões como estas que alavanca, o senador por Illinois, Barack Obama, que não tem apenas qualidades de oratória, pois nos assuntos que aborda, mostra conhecimento, sabedoria e habilidade política internacional, como por exemplo, afirmar que vai dialogar com Raul Castro em Cuba e acabar com a Guerra no Iraque, com a retirada os soldados norte-americanos.
Obama, eleito, a mão do país mais importante do mundo terá a cor de sua gente. E isto causará reflexos positivos incalculáveis no mundo.
Recordo ter lido que Monteiro Lobato, escreveu em 1926 uma obra com o título: O PRESIDENTE NEGRO, fazendo ficção e procurando atingir o mercado norte-americano. Algo que não conseguiu. Não vou entrar no mérito da minha resistência a forma como o autor do Sítio do Pica-Pau Amarelo encarou a questão negra. Fico apenas na Tia Anastácia.
Obama vem sendo comparado a John Fitzgerald Kennedy que dentre outras medidas, na década de 60 decretou que 12% das vagas nas universidades ficassem reservadas para negros. Correspondia a exata proporção da população negra na sociedade americana. As ações afirmativas de lá foram responsáveis pela elevação em todos nos níveis da classe negra e a conseqüente diminuição do fosso da desigualdade social. Kennedy que ao visitar o Brasil, inteligentemente perguntou onde estão os negros? Se referindo a invisibilidade em todos os escalões de governo.
Obama representa independentemente do resultado final das eleições americanas, o sonho acalentado por Martin Luter King Jr., bem como a garra e a tenacidade do discurso de amor a sua etnia de Malcom X, ainda trás em seu bojo o romantismo da poesia de James Baldwin e síntese do discurso do Pastor Jessé Jackson. Todos abençoados pelo sorriso largo e meigo de Nelson Mandella.

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